Bullying: um problema comum nas escolas |
Pais e professores devem ficar atentos às atitudes agressivas de crianças e adolescentes, um problema habitual nas escolas, mas ainda pouco discutido |
10/07/2009 - 07:12 |
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Agressões físicas e psicológicas caracterizam o bullying |
Sinais
Segundo Fátima, não foi fácil perceber que seu filho vinha sendo intimidado pelo colega. “Demorei alguns meses para descobrir o problema. Havia dias em que ele chegava em casa com o material escolar incompleto, e não sabia me explicar onde havia deixado. Algumas vezes notei marcas vermelhas em seu corpo. Ele também foi perdendo a vontade aos poucos de frequentar a escola e a banca”, relata a mãe.
Assim como ela, a maioria dos pais não nota o problema imediatamente, isso porque a criança não costuma procurar os responsáveis para falar sobre o assunto. “O jovem tem vergonha. Se sente inferior e não quer assumir essa inferioridade diante dos pais. Além disso, ele teme que os adultos não acreditem nele”, diz a psicopedagoga Edel Ferreira.
Não querer ir para a escola, chegar machucada em casa, se negar a comer, evitar contatos sociais, e ficar muito tempo trancada no quarto podem ser sinais de que a criança vem sofrendo o bullying. Mas a especialista ressalta que esses também podem ser indícios de outros problemas, por isso é necessário identificar o que de fato está acontecendo.
Causas
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Mídia e ambiente familiar influenciam a conduta da criança, diz especialista |
Ainda segundo ela, as vítimas são geralmente os mais tímidos da turma. “Aqueles que mostram maior fragilidade e que recuam ao invés de reagir às agressão são os mais suscetíveis ao bullying”, diz Edel.
Traumas
De acordo com a especialista, “o bullying pode trazer transtornos para quem pratica e para quem sofre, se não houver o posicionamento adequado dos pais e das escolas e o acompanhamento psicológico necessário”. Ela explica que as vítimas podem desenvolver baixa auto-estima e virar adultos extremamente tímidos e reclusos. Já os agressores, podem continuar praticando o bullying na fase adulta, inclusive no ambiente de trabalho. “O assédio sexual no trabalho, por exemplo, pode ser reflexo do comportamento do indivíduo na infância”, destaca.
Papel da escola
Para a professora, acompanhamento das escolas ainda não é o adequado |
Para ela, cada escola deveria contar com uma equipe de psicopedagogos que pudesse atuar junto aos estudantes. “Algumas instituições privadas já contam com esses profissionais, mas na rede pública, infelizmente, esse acompanhamento ainda não é o adequado. Diretores e coordenadores muitas vezes não se mostram preparados para agir nesses casos”, lamenta.